quarta-feira, 11 de julho de 2007

Argüindo a supressão cultural em razão de sua vida vazia... EU DESAPROVO!

Índios praticando a “Dança do Bate Pau” de bermudas. Dando entrevista em documentário. Com televisão em suas ocas, com liquidificador, panelas de alumínio, ventiladores, aparelhos de som, até mesmo computador e telefone. E, ainda de bermudas, atiram suas toras de madeira no chão, em seu torneio indígena secular e tradicional. Mas será que é isso mesmo que eles querem? Não podemos ter essa certeza, mas essa é a cruzada em que lutam muitos antropólogos Brasil afora (vou fingir que essa patota não faz isso almejando uma teta na UnB). Segundo eles, é preciso preservar! O índio tem sua cultura própria e, ao usar qualquer coisinha mais européia do que o normal, fica caracterizada uma verdadeira afronta, um desastre cultural. Falando mais drasticamente, um desrespeito humano.
Mas eu nunca vi ninguém perguntar a um índio se ele gosta de um ventilador, de um sorvetinho, de um liquidificador (rapá, mas facilita a vida, hein! O pilão já era!). Parece que eles não podem gostar dessas coisas da cultura caucasiana. Eles não podem, nem mesmo ser incentivados a gostar. Parece o fim do mundo. É uma praga dos tentáculos opressores da globalização – diriam os mais marxistas. Mas eu, do alto de minha ignorância pergunto: “Que mal tem?”. E se o indiozinho pré-adolescente não quiser mais aprender a “Dança do Bate Pau”, porque toda a sociedade além-tribo deve ser culpada?
Tudo passa mesmo! O tempo destrói coisas, monumentos, costumes, culturas. Às vezes para pôr outras em seu lugar e às vezes não. As culturas são suprimidas desde que o mundo é mundo e, porque condenar agora? Lemos os livros de história e ficamos com a impressão de que só o passado é história, mas falta à sociedade que se veja que a história é agora. O presente também é história.
Vi na televisão uma bodega na Espanha, onde se fabrica o vinho Jerez, e o tiozinho falou que os jovens de hoje já não se interessam mais por barris de madeira (essenciais na produção do vinho). Aqui no Brasil, já existem pessoas aborrecidas com o fim dos fotógrafos lambe-lambe, na maioria das vezes maiores de 60 anos, que se queixam que os jovens não se interessam pela profissão. Mas porque os jovens teriam que se interessar? Porque se condena tanto o jovem que joga seu joguinho de computador e se tenta convencê-lo de que um pião de madeira é mais interessante? Aonde isso vai chegar? Ao nada! Rejeitar a supressão cultural só vai retardar o processo, que é inevitável, irreversível e não é esse bandido mercenário a qual tentam nos convencer.
Porque os antropólogos indianistas não usam como exemplo o Egito? Eles foram sendo dominados pelos árabes muçulmanos desde o século VII e perderam completamente sua cultura original, tornando-se eles próprios um povo árabe. Tá bom que alguns egípcios ainda falam berbere ao invés de árabe, mas nada sobrou da Antigüidade a não ser ruínas de uma civilização que nem parece que são eles mesmos. Isso sem falar dos latinos (da região do Lácio) que perderam o idioma, que deu origem a pelo menos outros dez. Os cretenses que se transformaram em gregos às pressas, os povos dominados por Gengis Khan e tantas outras vezes em que houve supressão cultural na história da humanidade, e ninguém está vivo até hoje para reclamar, lamentar, choramingar... morreram, levaram a cultura junto com eles, novas culturas ficaram no lugar, e as pessoas seguiram suas vidas, algumas felizes, outras nem tanto, mas vivendo ativamente o processo de desenvolvimento da humanidade.
E por mim ó, podem abrir uma danceteria na tribo que, se os índios gostarem, eu não vejo o menor problema!! To-toma-toma-toma!!!!

Juan Luís Guerra & 4.40
“Palomita Blanca”

0 esculachos: