sábado, 14 de julho de 2007

“As coisa que tem menas importância...”

O idioma não é um ramo estático da linguagem. Também não está pronto, definido, como muitos professores e comunicólogos insistem em declarar. A fala de um povo vive em constante mutação, do mesmo jeito que a tecnologia ou os costumes, não é a toa que nos referimos ao idioma falado em Portugal nos séculos XIII, XIV, XV de português arcaico. E é esse fenômeno incontrolável que faz, independentemente da vontade dos estudiosos da língua, que a gíria ou a palavra pronunciada erroneamente de hoje, se transformem em vocábulos oficiais amanhã.
E é isso também, que pode explicar – provavelmente – o porquê de pronunciarmos “múinto”, ao invés de pronunciarmos do jeito que se escreve: “muito”. Vamos convir que isso não é normal! É um fenômeno sobrecomum! Não existe acentuação, hifenização nem nada que dê uma explicação ortográfica convincente sobre esse fonema aí escondido. Eu, porém, tenho uma teoria:
Se pensarmos que o português nasceu da pronúncia errada do latim (começou bem, hein!), na época do domínio dos Romanos sobre o Mar Mediterrâneo e que, sendo assim, Portugal fica mais longe de Roma do que a Espanha, logo dá para supor que o “muito” português é inspirado no “muy” dos espanhóis e no “mui” dos galegos. Sendo assim, o –to nada mais é do que um sufixo adicionado pela rebeldia portucalense. Agora você: tenta pronunciar a palavra “muito”, meu filho, mas sem o “n” invisível, finja que tem um acento no “u”. Sentiu a dificuldade?
Se pensarmos que durante muito tempo os idiomas não eram regulamentados, ou seja, falava-se, escrevia-se, mas os novos textos eram tão-somente baseados nos textos que vieram antes, e que existiu uma época em que eles começaram a se organizar, talvez dê para concluir que na hora de regulamentar, instituiu-se a palavra “muito” (sem “n”, com o “i” de herança dos galegos, e com o “-to” de rebeldia), e quando ela chegou no povão, o mesmo não conseguia pronunciar sem criar um “n” imaginário! Como a burguesia era (e ainda é até hoje) bastante intolerante com as classes mais baixas, simplesmente devem ter se recusado a falar daquela maneira ou modificar a palavra, devendo então eles serem os únicos manés e panacas a se contorcer para falar múúúito. Como nada é pra sempre, o “muinto” sobreviveu por séculos, até mesmo com seu “n” renegado!
Mas isso tudo são apenas teorias. Só que elas podem servir para prever outros fenômenos, como a palavra “menas”, por exemplo. Tem pessoas que não conseguem sintetizar que são menos batatas, menos nuvens, menos saudade. Para elas, o “menos” segue o substantivo em questão, e se este for feminino, ele vira “menas”. É errado? É... mas não tenha dúvidas que esse e outros grandes vícios de linguagem, um dia poderão se transformar em palavras oficiais. Se até “tchan” já entrou no dicionário de Língua Portuguesa! Ou será “Língua Brasileira”? Ah, isso já é uma outra história!!!

Marilyn Manson
“Disposable Teens”

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