terça-feira, 29 de maio de 2007

Mais uma dose de Venezuela, por favor...

Imagino que os funcionários da RCTV ainda devem estar inconsoláveis, mais um pouquinho mais anestesiados no dia de hoje. Bola pra frente... a vida continua... etc. etc. etc.
Como um futuro profissional de comunicação, eu obviamente não poderia ficar sem falar nada sobre esse episódio. Também por esse motivo, eu não poderia ficar só na base do achismo. Criei um tópico sobre o assunto no Y!R hispânico, e cheguei à conclusão de que as opiniões venezuelanas estão bem divididas. Pelo menos na comunidade da Internet, creio que possa afirmar que uns 40% (tá bom... 35%) dos internautas de lá estão apoiando a atitude de Hugo Chávez, talvez por um sentimento nacionalista demasiadamente assoberbado, por influência dessa figura máxima nacional, ou talvez por uma influência inevitável. Toda ditadura se suporta num mínimo de apoio popular. Já cheguei a conversar certa vez com um homem que viveu na época da Junta Militar, na década de 1970, e ele não tinha absolutamente nenhuma queixa sobre aquela época.
Um membro da comunidade do Y!R disse que “A RCTV nunca promoveu nada concreto para o desenvolvimento da Venezuela”. Acredito que seja verdade. Essas emissoras da América do Sul não são assim uma BBC – Aliás, a BBC também está na mira cega do Chávez. Mas não é por isso que devem ser tratadas como um nada. Ela exprimia idéias. Tinham jornalistas, artistas, roteiristas, fora os inúmeros empregos técnicos. Que eu saiba, desemprego e desenvolvimento jamais andaram de mãos dadas.
Só para assinar seu atestado de ditador (ONU, cadê você???), Huguinho já ameaçou outra rede venezuelana, chamada Globovisión – veja que coincidência infeliz, GLOBOvisión – e não demora muito, ela vai sucumbir também.
Outra mulher no Y!R (essa se opôs a Chávez) também falou que o presidente/ditador venezuelano “quer transformar a Venezuela numa nova Cuba”. Eu só pediria, encarecidamente, que alguém avisasse a esse senhor que ele precisaria de muito mais mar, a leste, a oeste e a sul, para poder se isolar totalmente...
¬.¬
Será que ele entende de Geografia?
¬.¬
Será que ele entende algo mais que seu umbigo?

¬.¬ ¬.¬
Será que ele tem neurônios?

Lisa Ekdahl
“Hjärtat Var Rispat”

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Cabô-se o que era doce!

O mundo acompanhou nessas últimas semanas ao ressurgimento da ditadura na América Latina. Depois de dias conturbados, antecedendo o fechamento, finalmente a RCTV saiu do ar, sendo substituída pelo canal idealizado pelo próprio Chávez. Esse episódio me fez repensar algumas posições anteriores, principalmente sobre a TV Globo no Brasil. Depois do documentário “Muito Além do Cidadão Kane” (Beyond Citizen Kane), que se baseia só em uns 70% de verdade, embora alguns o considerem como uma Bíblia, comecei a desenvolver certa aversão a esse canal. Confesso que a aversão continua, mas o exemplo venezuelano nos dá uma dimensão da escabrosidade que é a violação à liberdade de expressão. Se a Globo sair um dia do ar, que saia devido à dívida que ela tem, e não por motivos de orientação editorial.
A desculpa da concessão também é um argumento bastante falho. O bendito do presidente renovou a concessão de várias outras emissoras, só não a de seus opositores. Quem é que vai me convencer que isso não é ditadura? Ele pelo menos deveria dizer quais foram os seus critérios de julgamento, mas ele não os disse, pois não são critérios justos.
Eu estou profundamente chocado, revoltado e envergonhado! E veja: eu nem sou venezuelano nem nada. Se eu fosse, provavelmente estaria bem mais fulo da vida. O pior é que o mandato de presidente dura oito anos na Venezuela, e esse infeliz acabou de se reeleger. Até aonde sua mente doentia poderá chegar? Ele deveria pelo menos ter consciência de que, num futuro não muito distante, esses dias serão uma página negra na história venezuelana. Sua foto entrará nos livros de história e as criancinhas de 3ª série lerão sobre ele como o “último grande ditador venezuelano”.
Enquanto não acontece isso, vamos nos “contentar” com essa foto de chororô na RCTV, instantes antes do encerramento de suas transmissões. Cansei de Ser Sexy
“Patins”

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Mostrando a felicidade sobre um assunto absolutamente irrelevante em rede mundial para todas as paredes que sempre lêem ao meu tão abandonado site

Aos (tijolos) que acompanham minhas postagens com regularidade, uma felicidade, uma emoção, uma bem-aventurança!!!! (uia). Depois de meses e meses e meses jogando o Empire Earth, finalmente esse desocupado aqui consegui ganhar! É! Ganhei!!!! Até já fiz uma postagem certa vez contando que havia perdido! Dessa vez foi diferente!!! Olha o Printscreen que eu tirei da minha vitória aí abaixo...: Detalhe para a frase “You are victorious” no canto da tela. Que emoção! – e que falta do que fazer, relatar isso no blog...

––

Cheguei à conclusão de que a foto e a postagem anterior não tem absolutamente nada a ver com a paçoca. Devo apagá-la?

Christopher Öström
“Wishwosh”

terça-feira, 22 de maio de 2007

Reconstrução da realidade (engatinhando...)

O trabalho da artista plástica alemã Monica Ursina Jäger acabou me inspirando bem mais que o previsto. O que era só para ser uma ligação temporária em virtude de um trabalho acadêmico, acabou tornando-se uma admiração. Logo, tentei me arriscar também um pouco nessa de reconstrução da realidade, o que deu em duas fotomontagens. A primeira, não acho que tenha ficado lá essas coisas, pois usei um pouco do Horto Florestal de Campo Grande (ô coisa manjada) com umas fotos de grafite da Av. Mato Grosso – já postados anteriormente.
A segunda foto ficou melhorzinha. Usei uma foto da minha mãe como molde. Obviamente, não chegou nem ao dedo mindinho de que Monica Jäger faz, mas é um começo. Se você, nobre parede, achar ridícula e quiser me esculachar, o faça, por favor. Olha a minha cara de preocupação...

Björk
“Isobel”

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Funk Carioca X Modernismo

Eu ainda discordo de certos (pseudo)intelectuais que condenam e abominam o funk carioca por sua simples existência de qualquer forma. O funk muitas vezes tem letras que, na mão de escritores renomados, seriam aclamadas pelos cultuadores do saber, mas que na voz dos MCs, simplesmente viram a decadência da cultura brasileira, no mais puro e desbragado preconceito. Muitas letras de funk carioca não devem nada aos escritores modernistas. Vejamos os exemplos que eu usei para comparar:

Macumba do Pai Zusé
“Na macumba do Encantado
Nego véio pai de santo fez mandinga
No palacete de Botafogo
Sangue de branca virou água
Foram vê estava morta!”
Manuel Bandeira


"Caveirão botô no morro
Querendo aterrorizar
Manda o caveirão embora
Que a galera quer dançar"

Trecho de Caveirão, do Mc Fa.


Eu, sinceramente, não consigo ver desmerecimento da segunda em relação à primeira. Mas o desmerecimento que um (pseudo)intelectual aplicaria é puro fruto de um pré-conceito muito hipócrita. Algo que eu desconsidero. O funk carioca é cultura do Brasil sim! E ninguém deve ter vergonha disso!

Mc Fa
"Caveirão"

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Galícia: Minha nova província espanhola preferida (?).

Bascos, tremei! Minha fascinação pela região autônoma espanhola do País Basco pode estar ameaçada, ou talvez não, por outra província, não tão autônoma assim, ao oeste da Espanha, fronteira ao sul com Portugal, a Galícia. De uns dias pra cá comecei a ficar fascinado com a cultura galega e, principalmente o tão particular idioma galego. Pra começar, é uma língua milhões de vezes mais fácil de se aprender do que a língua basca, que não tem raízes no latim e sim no etrusco. O idioma galego, não só vem do latim, tal qual o espanhol e o português, como também se assemelha assustadoramente com a nossa língua! Fiquei até pasmo quando vi, “Artigos da Língua Galega” (uma página aparentemente escrita em português, mas na realidade, toda expressa em galego). Para se ter uma idéia, o galego é muito mais parecido com o português do que com a própria língua espanhola.
Não sei se o que me fascinou na Galícia foi justamente a aparente facilidade de se aprender o idioma, ou se foi o fator inusitado. Percebi que, ou não existe a letra “j” no galego, ou ela é muito pouco usada. Ler paravras como “proxetos”, "imaxes" e "tecnoloxía" foi muito engraçado, à princípio. Minha intenção agora, é me aprofundar cada vez mais e mais no estudo dessa tão interessante língua. E os bascos que não fiquem enciumados, pois continuo amando a cultura basca do mesmo jeito de antes, mesmo embora o título de hoje. E se vocês, nobres paredes, me virem por aí, falando com sotaque, parecendo ser um dialeto, não tenham dúvida, serei eu a praticar o galego.

Ibrahim Ferrer
“Bruca Maniguá”

Machuca
Dir: Andrés Wood. Chile, 2004

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Maio: 2 anos de vegetarianismo

O mês de maio não chega a ser importante na minha vida, mas marca um marco (viva a redundância), um divisor de águas. Não me lembro que dia foi, mas em algum dia de maio, dois anos atrás, eu percebia que evitar carne vermelha, mas comer frango usualmente e um peixe de vez em quando não era grande coisa. Comecei a ver que não é preciso ser rico para ser vegetariano, pelo contrário, se a grande massa deixasse de consumir carne, que é um produto não muito barato, e com o mesmo dinheiro consumisse vegetais, ficariam nutridos e comprariam variedades maiores de alimentos. Comecei a pensar melhor sobre aquela declaração que certamente todo mundo já ouviu um dia que é “se a gente pensar nessas coisas, a gente nem come...”. Pois é. Pensei. Parei de comer.
Não morri, ao contrário do que algumas pessoas disseram. Não fiquei mais fraco, com menor poder de criação, ao contrário de quando eu comia carne e ficava me sentindo pesado o dia todo. Não salvei nenhum boi de ser abatido, nenhum frango, nenhum porquinho, é bem verdade, mas me juntei a um grupo que cada dia ganha mais adeptos e que, se Deus existe, um dia seremos a maioria. Não mudei de idéia durante esses dois anos, e não tive o disparate de declarar que Deus criou os animai para o homem se alimentar, como um dia uma familiar minha, católica, declarou. Aliás, tive apoio de 0% da minha família, aliás, -1%, -100%. Vejam só, não me tornei um babaca, lunático, que vive vestido de verde, como sempre são os vegetarianos do cinema. Não tive vergonha de falar a frase “pobres vaquinhas”, a qual os carnívoros tanto tiram sarro. Tive recaídas, obviamente, principalmente no começo. Cercado de carnívoros de todos os lados, inclusive minha própria mãe, fica difícil manter a compostura. Mas, a consciência de que matar um animal inocente para satisfazer o prazer sórdido humano, mesmo que eu seja agnóstico, que eu não reze jamais um “pai nosso”, é bem maior. E seu eu continuasse católico – o que deixei de ser com muito orgulho há uns quatro anos – certamente não seria vegetariano, pois se antes existia a sexta-feira santa em que não se comia carne, mas estupidamente ainda se comia peixe, agora, depois do papa Wojti»a, tá tudo liberado. Não convenci ninguém a ser vegetariano também, pelo contrário, depois de algum tempo comecei a perceber que ninguém está disposto a pensar sobre o assunto, e sim, a criticar. Fui questionado sobre a morte dos vegetais, por pessoas que diziam que “de uma forma ou de outra precisamos matar para comer”, dizendo também que o mamão também morre. O que ocorre é que o vegetal é uma forma de vida totalmente diferente. Um galho de uma árvore, pode se transformar em outra árvore, mas é impossível plantar um braço de animal, para que outro nasça. Os vegetais também apresentam sementes, fora as flores, não precisar de fecundação, é só jogar no chão e pronto, e quando você tira uma manga do pé, a mangueira continua viva.
Mas eu ser vegetariano era um acontecimento anunciado. Desde pequeno, quando descobri de onde vinha a carne, que eu pensava: “tudo bem, mesmo?”. Quando eu tinha lá meus seis anos, ainda em Rondônia, lembro que um cabrito foi parar no nosso quintal. Ele veio junto com um povo que eu não lembro quem era. Ficava amarrado à uma árvore por uma corda. Ficou por lá uns três dias, sendo alimentado, eu acho. Fiquei com medo dele, mas não um medo inocente, meu pai me falava para não chegar perto. Eu não assisti ele ser sacrificado, mas vi o sangue no chão depois. Não lembro seu eu comi a carne daquele cabrito, provavelmente sim, mas eu sabia muito bem o que estava acontecendo, embora achasse estranho voltar a andar com meu carro de pedal (daqueles grandões, que a criança entrava dentro, lembra?) naquele quintal, com a ausência do cabrito. Desde então, pensava sobre o consumo de carne.
Certa vez eu vi uma matéria dizendo que todos os queridinhos de Hollywood, naquele momento, eram vegetarianos, e que essa era a receita para a saúde e boa pele. Outra vez, noticiou-se que alguns atletas olímpicos do Brasil estavam com anemia por não comerem carne, embora muito anêmico por aí seja sim, consumidor de carne. Pensei muito sobre o assunto, até decidir só comer carne branca. Carne vermelha, só de vez em quando.
Foi então, que eu comecei a ler artigos na internet que falavam como realmente os animais eram tratados. Até então, eu imaginava que eles eram muito bem tratados durante toda a vida, e morriam letalmente no final. Não. São muito maltratados. Certamente não caberia enumerar as atrocidades feitas a esses seres indefesos. Consciente disso, resolvi não participar mais. Acredito que se existissem mais vegetarianos, os produtores de carne deixariam de ser produtores de carne.
Sem mais delongas, espero ano que vem comemorar meus 3 anos de vegetarianismo, com mais conquistas, e mais certezas, e com muito orgulho de declarar minha condição a qualquer estrupício que me olhe como se eu fosse um E.T.

Czerwono Czarni
“Chłopiec Z Gitara”

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Percepções a longo prazo

É incrível a vida, né.
Só aos 17 anos é que eu percebi como era idiota aos 15.
Só agora aos 19 anos que eu percebi como era idiota aos 17.
Será que aos 21 anos pensarei o mesmo sobre o “eu” de agora?

Brad Paisley
“Alcohol”

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Respeito é bom brancos que se entendam (ou mais ou menos isso...)

Esses últimos tempos eu tenho pensado sobre o respeito. Lembrei de uma história que eu vi no telejornal há muito tempo, deve ter sido lá por 1998... Em mais uma daquelas matérias aborrecidas sobre a aborrecida educação brasileira, uma escola pública de uma cidade de São Paulo mostrava uma opção inteligente (?) para diminuir as pichações. Reuniu todos os alunos bonzinhos para fazerem pinturas artísticas nos muros da escola. A grande sacada mesmo, foi de uma outra escola, na mesma reportagem, que promoveu a pintura da santa ceia no muro. A diretora falava em entrevista: “Depois que pintamos a Santa Ceia na parede, não houve mais pichações no muro”. Isso tudo lá pra trás. Década de 1990...
E hoje? Como será hoje em dia? Talvez eu tenha parte da resposta no próximo relato. É que quando eu morava no Guanandi, muitas vezes passava pela escola do Parati no caminho de casa. Certa vez, já na década de 2000, aliás, deve ter no máximo uns três anos desse fato, os muros da escola foram todos pintados pelos alunos. Dentre os desenhos havia uma citação: “Jesus te ama”. Depois de alguns dias, passei por lá, e vi por cima uma pichação: “e o diabo também”. Rsrsrsrs. É a ossa da ossada!
Mas também, dos anos 1990 pra cá, o conceito de pichação mudou muito. Hoje se defende a arte urbana (eu mesmo sou um defensor), mas a questão nem é a pichação, é sim o respeito pelas coisas e pelos símbolos que, mesmo que não signifiquem nada para você, podem significar algo para outrem (outrem, hein! Tô falando “difíço”!). Será que a figura da Santa Ceia pintada naquela época seria respeitada hoje? Ou será que escreveriam por cima “ô Escariotes, passa esse pão aê, porra!”. Será que a escola da reportagem daqueeeeeela vez, ainda tem a figura da Santa Ceia pintada? Existe alguma coisa que se respeite hoje em dia? Nem a vida das crianças está sendo respeitada hoje em dia! Antigamente se maltratava sim, mas não se torturava até a morte, como no caso daquele menino João Hélio, do Rio de Janeiro, arrastado de carro até óbito. Quantas crianças tiveram morte cruel só nesse ano, no Brasil? E isso é um desrespeito bem pior do que desenhar chifrinhos e bigodinhos na pintura de Jesus Cristo.
Fico pensando sobre a visita do Papa Bento XVI. Por mais que eu não seja católico, acredito que ela deva ser respeitado, se não pela fé (ou mentirada) que ele representa, que pelo menos seja pelo ser humano. Será que vão respeitá-lo ou a patacoada vai descontrolar de vez?
Só saberemos depois do ocorrido. Mas, que nada mais é respeitado, sob ponto de vista algum, isso é fato. Mas, vamos ser sinceros, amáveis paredes, o Brasil é um país mais de resbunda do que de respeito.

De Phazz
"Desert D'amour"